Com a possibilidade de se estabelecer um super El Niño a partir do segundo semestre deste ano, entidades e poder público de São Mateus se reuniram na tarde de terça-feira (16), na sede do Saae, para debaterem soluções para enfrentar os efeitos do fenômeno no município. Lideradas pela Prefeitura, entidades estudam criar um Comitê de Crise Hídrica com participação de representantes do poder público municipal, instituições de ensino, empresas privadas, entidades da sociedade civil e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).
E uma das primeiras preocupações é o avanço da salinização do Rio Cricaré, o que pode provocar o retorno do pesadelo da água salgada em São Mateus. Durante a reunião, o diretor operacional do Saae, Arilson da Luz Mendes, apresentou informações sobre o avanço da salinização nos rios Cricaré e Mariricu, fenômeno que pode comprometer a captação de água para abastecimento da população em períodos de estiagem prolongada.
Segundo ele, desde 2024 o monitoramento da salinidade passou a ser realizado de forma contínua, ampliando a capacidade de análise e planejamento do município.
“Antes, fazíamos a medição próximo aos períodos em que é mais comum a maré subir naturalmente e a água ficar salgada, que são os meses de fevereiro, julho, agosto e setembro. Desde 2024, o monitoramento é constante. Em uma década, vamos poder comparar esses avanços da salinização e trabalhar de forma preventiva” – explica.
MARCUS BATISTA DIZ QUE REUNIÃO É PRIMEIRO PASSO PARA CRIAÇÃO DE COMITÊ
O prefeito Marcus Batista, que também participou do encontro, destacou que o Comitê deverá reunir representantes de diversos segmentos da sociedade. “Hoje foi o primeiro start, para começarmos a criar o nosso comitê de crise hídrica. Vamos convidar representantes da sociedade para participar das próximas reuniões, onde vamos apresentar o andamento das ações, como o projeto do novo ponto de captação de água, a busca por recursos junto ao Governo do Estado e a perfuração de novos poços artesianos” – afirma.
Ele ressalta que os impactos de uma possível nova crise hídrica vão além do abastecimento urbano e atingem diretamente o setor produtivo, especialmente a agropecuária na região. “A agricultura é uma das primeiras a sofrer os impactos desse fenômeno, porque sem chuva não é possível ter uma produtividade grande no agronegócio. E se a população da cidade sofrer com a falta de abastecimento, ela também é impactada diretamente, porque vem determinação do Ministério Público para desligar a irrigação” – lembra.
Marcus Batista defende a participação no comitê de entidades como Sindicato Rural, Ceunes, Câmara de Vereadores e representantes da sociedade civil. “Não tem lado político quando se trata de um fenômeno como esse. Todo mundo sofre os impactos. Por isso, é importante que todos participem desse processo, para que possamos estar preparados e minimizar os efeitos, caso esse cenário se concretize” – enfatiza.
“CORRER CONTRA O TEMPO PARA LANÇAR LICITAÇÃO PARA O NOVO PONTO DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA”, SUGERE PREFEITO
O prefeito Marcus Batista disse que o Município já estuda algumas medidas que devem ser adotadas pela administração municipal para reduzir possíveis impactos do avanço da cunha salina por conta de provável seca na região provocada pelo El Niño. E citou como exemplos: perfuração e manutenção de poços artesianos, campanhas de conscientização para o consumo responsável da água e planejamento de alternativas para a captação e distribuição do recurso hídrico.
“Estamos trabalhando para minimizar os problemas, vamos fazer campanhas orientativas para as pessoas em relação a consumo de água. E correr contra o tempo para lançar licitação para o novo ponto de captação de água, além de deixar planejada, caso necessário, a logística das carretas [carros-pipa]. Vamos criando essas estratégias com o comitê de crise hídrica para minimizar os problemas” – enfatiza.
O prefeito pontuou ainda que uma empresa já foi contratada para finalizar o projeto de implantação de um novo ponto de captação de água no Rio Cricaré. “O projeto está praticamente concluído e, em breve, poderá seguir para o processo licitatório” – sustentou, sem dar mais detalhes sobre o projeto.
Também participaram da reunião o presidente da Câmara de São Mateus, Wanderlei Segantini, além dos vereadores Branco da Penal e Cristiano Balanga, representantes do Saae, da Defesa Civil Municipal, das empresas Soma Urbanismo, da Luz e Força Santa Maria e Sindicato Rural de São Mateus, o diretor do Ceunes, Luiz Favero e professores da instituição.























































